Que seja doce!

Tati Bernardi

Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo.


 O tempo pode nos dizer o que nunca ninguém poderá expor em palavras ou gestos, o tempo pode fazer com que as noites frias e cruéis tornem-se indiferentes e que os seus ouvidos se acostumem com os trovões e que de repente, você nem leve mais susto com eles. O que eu quero dizer, é que o tempo não cura, apenas nos habitua. Você pode até ouvir aquela música que traduz seu passado, pode sentir o cheiro ligeiro do seu amor no ar, pode assistir a cenas parecidas, mas tudo isso é apenas para resistir do futuro de uma forma que não pareçamos tão receosos. Desgraçada sou eu que sempre tentei passar a perna no tempo. Ele que passou a perna em mim. Agora estou aqui, esperando que ele passe para que eu possa passar também. 

(…) 

Já teve a infelicidade de pensar que mesmo 
que você vire a ampulheta, o tempo não volta? 


“Você me inspira o desprezo. O sentimento de quem ilude. Tira de mim o ódio mais profundo, o qual nunca senti antes, o qual raramente imaginei que pudesse sentir, e que pudesse ser tão forte assim. Mas eu sou boba, ainda sento ao teu lado e te procuro como está ainda ouço as indiretas calada, e permaneço com meu semblante triste que parece invisível, pois ninguém vê. Eu ainda te ligo, e ouço tua voz desdenhosa, minha mente clama por desligar, por te xingar, mas meu coração apenas não permite, te deixa um beijo, e pede pra se cuidar. Eu sou toda boba, desde o fiapo de cabelo que cai sem parar, e fica aí em todo e qualquer lugar, que pode ter ficado na tua roupa na hora daquele abraço, mas que você nem sequer percebeu. Eu sou toda boba porque ainda me importo quando você sai com ela, e abraça-a, ainda me importo e te olho com a fúria que já não tenho, e só te observo, e não te admiro, mas mesmo assim te gosto. E pretendo ser forte, pra não deixar o sentimento mais sincero me consumir, pra deixar o meu semblante feliz, pretendo ser forte pra te fazer colher o que nunca quis. Fica com teu desprezo, que eu cuido do meu coração sozinha, como sempre.”


Não está dando tão certo como antes, podes perceber. Está precária nossa situação, se é, que algum dia ela chegou a realmente existir. Você acabou esquecendo de mim- curvei-me diante a mesa e algumas gotas de lágrimas caíram sobre tal folha de papel - Estou sentindo tanto sua falta, amor. Está virando uma estúpida nostalgia que nunca pensei que iria sentir novamente, por já ter meu coração ferido outras vezes. Você estas tão longe de mim, eu sei que vai me esquecer, pois isso é tão simples. Sei que não me queres de volta -Por que existo? Perguntei a mim mesma- Digo, ninguém talvez nunca tenha se importado com o mesmo. Você … Você se importou ? -Derramei mais um tanto de lágrimas- Se importou comigo pelo menos uma vez ? Em alguma noite fria sentiu minha falta ? Sei que não. Mas saiba que eu sinto falta do calor de teu corpo com o meu, daquelas noites de insônia que passei pesando em ti, sinto falta do meu homenzinho. De quem você costumava ser. Não este sem amor que se transformou, que ficou como neblina, fria, sem direção, e ranzinza. Só não pense que é fácil escrever isto, me doí tanto, pois já não tem mais graça viver sem ti […] Enquanto desaprendo a ir embora, a andar para longe de você, tu aprendes. Aprende com tanta facilidade que acabo me impressionando. Por que fico transbordando-me em lágrimas, sendo que ti pouco se importa ? Tentei ser a única, mas pelo visto isto não funcionou. Meu sacrifício não valeu nada, pois você não se importa. Ora Bolas, você chegou até está linha ? Por um momento -pausei por alguns segundos- se você está lendo até aqui, é por que ainda se importa comigo, ou pelo menos finge. Mentes tão bem, querido. Tão bem que me fez crer em ti. Mas não me esqueça, apesar de tudo. Te imploro. Não jogue fora tudo vivido, foram tão lindos aqueles momentos. Mas machuca pensar que todos aqueles, poderiam ter sido falsos. Acho que isso é o fim, não quero mais decepções em minha vida. Cansei de ler poesias, de quem não sabe o que é amar, se quer amou. Mas, não. Não cansei de ti. Cansei de mim, por todo dia te querer, como se não houvesse amanhã, nem o agora. Assim, termino contigo. Espero que me entenda, cara pessoa. Desculpe se não for nada disso. Só cabe a mim te esquecer. Mesmo que doa. Não me ligue para pedir explicações. Sofrer é uma coisa que não pode me constar, não mais. Com amor, Aquela que muito te amou … ou não. -A chuva que batia no vidro e caia a baixo, me deixara nervosa, então, dobrei a carta em três partes, coloquei-a em outro papel, e mandei para o correio, mesmo que tinha pedido para que tu não me ligaste mais. Era o que mais queria-


O que eu peço é que você seja sempre de verdade também. Que me queira assim, imperfeito e cheio de confusões. Que saiba os momentos em que eu preciso de uma mão passando entre os fios de cabelo. Que perceba que às vezes tudo o que eu preciso é do silêncio e do barulho da nossa respiração. Que veja que eu me esforço de um jeito nem sempre certo. Que veja lá na frente uma estrada, inteiramente nossa, cheia de opções e curvas. E que aceite que buracos sempre terão.


Talvez eu não esteja preparada, nem sujeita a cobranças. dar demais nunca foi o meu forte. não sou boa em relações. não sei disfarçar. não sou boa em demonstrações. pareço forte. sou fraca. sou fria. sou sensível. sou complexa. me apego muito rápido. me machuco muito fácil. me chateio. finjo que tá tudo bem. respiro. evito. me calo. lamento. 

 Rebeca Gomes (Stardust)


Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes, ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé para casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Telvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão, que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR”.

- Martha Medeiros


Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias. Bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo.
Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.
Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar ao telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.
Que seja doce. Que sejamos doce. E seremos, eu sei.

Caio Fernando Abreu


Como explicar o vazio? Oco, fundo? É no vazio que as coisas começam a virar pó. Aquele cheiro, aquele jeito, aquela voz começam a se desintegrar em mil pedacinhos. Tudo que era constante vai embora. O vazio consome os restos que sobraram, as lembranças que a gente pensa que vai ter pra sempre com a maior clareza do mundo. Aquelas que colocamos num pedestal, no ponto mais alto, porque é lá que elas merecem ficar. Quando a gente deixa de alimentar a memória, ela falha. É o que acontece quando alguém vai embora e fica longe por tempo demais. Não podemos dizer que o que se foi não vão voltar. Talvez sentindo o cheiro ou a textura daquela pele que conhecíamos como a palma da mão… A pergunta é se vale a pena ir atras de uma saudade só porque ela insiste em arder. Os momentos nunca se repetem, as pessoas seguem seus caminhos, escrevem novas histórias, mudam sua rotina. Será que voltar pros braços de quem a gente deseja, depois de tanto tempo, vai trazer aquela sensação de paz e segurança que parecia fazer o mundo girar? Que dá vontade de descobrir, dá. Mas e ai? Se não for aquilo tudo de novo? Será que não é melhor tentar guardar o que já passou? Manter num cantinho aquela sensação de chama acesa ao invés de arriscar um novo fim que pode transformar tudo o que você tinha certeza em novas interrogações? Na vida nada acontece duas vezes, não dá pra querer que seja um dos seus filmes preferidos pra ficar voltando na mesma cena e viver tudo de novo. As coisas acabam, nada é eterno, clichê eu sei. Fácil de dizer também, o problema é que até hoje ninguém conseguiu colocar isso em prática.(Ana Carolina Basseggio)


Depois de estar com você, de sentir teu cheiro, tua pele, encostar a mão no seu rosto, ouvir coisas banais, enroscar meus dedos em seus cabelos, enfim, de sentir você, eu tenho, tive e sempre terei absoluta certeza de que eu não quero que você saia da minha rotina. Permaneça sempre, por favor.


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